terça-feira, 20 de novembro de 2018

Porque as coisas boas também nos podem fazer chorar muito

Já passaram 2 anos desde o fatídico dia em que, de ouvir as palavras cirurgia curativa, passei a ouvir as palavras cuidados paleativos.
Foi duro, foi. Foi um sentimento de me tirarem o tapete debaixo dos pés como nunca tinha experienciado.

Mas como tudo, superei. Temos de superar quando não há alternativa (cair numa depressão imensa é algo que não quero nunca considerar alternativa para mim).

Cerca de 9 meses depois chegou o dia em que já não havia mais lugar para cuidados paleativos.
Mais uma vez superei. Aí, acompanhado por um sentimento de quase alívio por saber que, em parte (e comparativamente com outros casos que acompanhei) foi melhor assim. A vida acamado e a recurso de morfina, a meu ver, não é vida para ninguém.

Agora, pouco mais de 2 anos da fatídica data em que tudo começou a desmoronar um bocadinho, ditou o destino que por obra do acaso fosse encontrada uma carta que havia sido escrita precisamente uns dias antes dessa fatídica data.

A cirurgia era complicada, longa e com risco, e a maleita que se propunha a curar era o que era. Foi o suficiente para ela achar que nos devia escrever umas linhas na eventualidade de não se escapar dali com vida. Escapou, mas infelizmente não por muito tempo.

São apenas umas linhas, mas o ter lido aquelas palavras escritas pela mão dela, aquele adeus e sejam felizes, encheu-me de lágrimas mas também me encheu o coração se um certo "conforto" que não consigo explicar.

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